segunda-feira, 25 de abril de 2011

Língua de Sinais: profissão reconhecida



Os intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras), que promovem a inclusão social de pessoas surdas em todo o país, tiveram a profissão reconhecida. Foi sancionada, no dia 2 de setembro de 2010, a lei que regulamenta a profissão e que pode contribuir para a redução de um déficit de profissionais para atender à demanda, principalmente da rede pública de ensino.


Em 2009, havia 280 profissionais, não chegando a um profissional por cidade. Só em Joinville, onde estima-se que haja 22 mil pessoas com deficiência auditiva, não há intérpretes de Libras suficiente para atender esse público.



Formada em Educação Inclusiva e especializada em Libras, Lueli Rohweder  atua há 16 anos como intérprete em escolas públicas e privadas. Na sala de aula, é ela quem dá voz e ouvidos a alunos surdos, possibilitando que eles possam entender o conteúdo como qualquer outro aluno.


“Acompanho todas as disciplinas interpretando o que os professores dizem para o aluno. E quando ele faz alguma pergunta, traduzo a linguagem dos sinais para o professor”, diz Lueli. Ela também traduz a conversa com os colegas.


Carin Schulze Fettback, do núcleo de Educação Inclusiva da Secretaria Municipal de Educação de Joinville, explica que nem todos os alunos contam com intérprete em sala de aula, porque nem todos sabem se comunicar em Libras e alguns preferem apenas fazer a leitura labial. Mas Lueli reforça a importância do aprendizado na língua dos sinais.


“É fundamental para o desenvolvimento do raciocínio, porque é por meio dos sinais que ele vai exteriorizar os pensamentos. Em Joinville, a escola pólo, onde os estudantes são alfabetizados em Libras, é a Rui Barbosa”, diz a intérprete.


MAIS PROFISSONAIS NO MERCADO


Atualmente, a maior parte dos intérpretes de Libras são pessoas com formação em pedagogia ou licenciatura, especializadas em Libras, que passaram pela prova de proficiência do Ministério da Educação para atuar nas escolas. Como a profissão não era reconhecida, eram contratados como professores, auxiliares ou monitores. Situação que deve mudar com a provação da lei.


“A tendência é de que, com a regulamentação, fique mais fácil a contratação, por meio de concursos, de profissionais específicos para trabalhar como intérpretes”, diz o vice-presidente do Conselho Municipal dos Diretos da Pessoa com Deficiência, Sérgio Luiz da Silva.


“A nova lei exige apenas nível médio, o que deve representar também um aumento no número de contratações para reduzir a carência de profissionais no mercado”, diz o presidente da Associação Catarinense de Tradutores e Intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Acatils), Tiago Coimbra Nogueira. As  instituições têm até 2016 para se adequar e atender ao decreto de 2005, dizendo que, pessoas surdas tem direito a intérprete em escolas e repartições públicas.


(AN,  Zero Hora, Diário Catarinense, A Comarca/Rio do Sul)

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