sexta-feira, 20 de maio de 2011

Professora vira “heroína” nas redes sociais

Um vídeo que mostra a professora Amanda Gurgel criticando a situação da educação no Rio Grande do Norte durante uma audiência pública na Câmara dos Deputados de seu estado fez com que a professora ganhasse admiradores por todo o país.

O vídeo que mostra a fala de Amanda teve 180 mil visualizações no YouTube desde o dia 14, quando foi postado, e seu nome ficou entre os “trending topics” do Twitter - a lista dos temas mais comentados da rede social - entre quarta e quinta-feira.

Amanda mostrou seu contracheque de R$ 930 aos deputados e enumerou algumas das dificuldades encontradas pelos professores no estado, além dos baixos salários: transporte precário, salas de aula superlotadas e até a proibição aos professores de comerem a merenda oferecida aos alunos.

A professora também criticou a secretária de Educação do RN, Betânia Ramalho. “A secretária disse que não podemos ser imediatistas, que precisamos pensar a longo prazo. Mas a minha necessidade de alimentação é imediata”, disse. “Pedimos respeito, pedimos que a senhora não vá à mídia pedindo flexibilidade, como se fôssemos responsáveis pelo caos”, afirmou, referindo-se à greve da categoria.

Com uma fala segura e firme, Amanda disse que não sentia vergonha de mostrar seu contracheque ao público presente na audiência. “Quem deveria estar constrangido são vocês”, disse, dirigindo-se aos deputados e à secretária Betânia.

Acesse o link:

http://br.noticias.yahoo.com/professora-do-rn-critica-educa%c3%a7%c3%a3o-no-estado-e-vira-%e2%80%9chero%c3%adna%e2%80%9d-nas-redes-sociais-.html

sábado, 14 de maio de 2011

O prazer de tomar um café colhido em casa



Trudi e o marido, Adolfo Rutzen, que mantêm a tradição de produzir e fazer café


Em Joinville, até os anos 50 do século passado, era comum a produção de café para o consumo doméstico. No meio rural e até na cidade, muitas famílias dispensavam o produto industrializado, preferindo prepará-lo pessoalmente de forma artesanal. Hoje, essa tradição ainda é mantida viva por umas poucas famílias do meio rural. Resistindo à modernidade, elas continuam a preparar pessoalmente o pó que garante o cafezinho de cada dia.

É o caso de dona Gertrudes Rutzen,  moradora da Estrada Rio da Prata, no distrito de Pirabeiraba. Na casa de dona Trudi, como é conhecida pelos parentes, vizinhos e amigos, só é bebido café produzido e preparado por ela própria. Aos 69 anos de idade, ele conta que aprendeu a preparar café caseiro ainda menina. “Comecei com menos de dez anos de idade. O café caseiro, além de puro, tem muito mais sabor do que aquele saído das fábricas”, compara.

Para preparar o produto, ela colhe os grãos de café nos meses de maio e junho. São acondicionados no sótão de um rancho para secagem preliminar e, depois, colocados no sol forte ou num forno moderadamente aquecido para retirar o restante da umidade. Feito isso, os grãos são descascados manualmente no pilão, para em seguida serem torrados em um pequeno tambor instalado sobre um braseiro bem forte. Para garantir uma torrefação uniforme, o tambor é movido a mão, incessantemente, até  a operação acabar. “Em média, é preciso meia hora de fogo para os grãos ficarem no ponto certo”, assinala a moradora da Estrada Rio da Prata.

Depois de torrados, os grãos devem ser colocados dentro de vasilhames de vidros e guardados em lugar seco, estando então pronta a matéria-prima para se fazer um bom pó de café, que dona Trudi obtém ao triturar os grãos em uma antiga moenda manual.

Preocupada em manter a tradição familiar, dona Trudi já ensinou todos os macetes de se fazer um bom café caseiro à filha Adelaide, que ajuda a mãe em dias de torrefação. “Minha mãe herdou a arte de produzir pó de café com os pais dela. Ela deu continuidade a essa tradição da família e eu vou levá-la adiante”, avisa a disposta Adelaide. A experiente Trudi garante que a produção de pó de café é até de fácil execução, havendo só a necessidade de saber dar o ponto certo na secagem e na torrefação dos grãos.

Dona Trudi é casada há 47 anos com Adolfo Rutzen. Ambos nascidos e criados na comunidade da Estrada Rio da Prata, sempre tiraram da terra o sustento, produzindo aipim, batata doce, cará, taiá-Japão e leite. Hoje aposentados, eles deixaram de lado as lavouras, dedicando-se à criação de alguns animais domésticos. “O peso da idade nos obrigou a diminuir o ritmo no trabalho”, comenta a sempre sorridente Trudi.

Além do preparo de café genuinamente caseiro, a propriedade da família Rutzen chama atenção pela presença de antigas cercas de pedra. “Essas taipas de pedras brutas foram erguidas pelos meus pais e avós e serviam para cercar porcos, vacas e cavalos. Hoje, embora não tenham mais serventia, nós as preservamos porque embelezam a propriedade”, destaca a popular e divertida Trudi.


Culinária alemã é um dos destaques da Bandoneon Fest

 Gaulke e Gisela: diversão e culinária estão garantidos



Na Bandoneon Fest pode faltar tudo, até o bandoneon. Mas se não tiver marreco recheado com repolho roxo é certo que os visitantes sairão reclamando. Estrela da culinária germânica, a ave tem presença garantida no cardápio desse domingo, na Sociedade Rio da Prata – e só quem já provou sabe o porquê de tanta adoração em torno desse prato típico.

Serão servidos 200 marrecos para as mais de 2,5 mil pessoas que deverão almoçar no Rio da Prata durante a 11ª Bandoneon Fest. Para dar tudo certo (e principalmente não faltar comida e sabor à mesa), a presidente da sociedade, Gisela Berwaldt, cuida de todos os detalhes, desde a compra das aves até a lenha que será queimada no forno. “As festas típicas só são típicas mesmo se tiver marreco recheado. Churrasco e frango tem em todo lugar”, comenta.

Com o recheio, o marreco deve receber uma camada de manteiga para dourar. Depois, são pelo menos três horas no forno (preferencialmente a lenha). À parte, o repolho roxo deve ser picado e temperado com vinagre, sal e açúcar, para quem prefere o sabor agridoce. Como complemento, arroz, saladas e batata.

Apesar de o marreco ter pouca carne, o recheio de miúdos dá consistência e cada ave serve de três a quatro pessoas. Outra opção é o ensopado de marreco na caçarola, acompanhado de batatas ou aipim. Mas aí, explica Gisela, não é tão tradicional quanto o assado no forno a lenha. “É um costume que se mantem, que passa de geração e geração.”

Variedade de pratos

Além deste prato principal, a 11º Bandoneon Fest traz outras opções para quem quer aproveitar o sabor da cozinha caseira. Durante o almoço também será servido churrasco e coxa e sobrecoxa de frango grelhadas. Cada refeição custa R$ 20 por pessoa, em buffet livre servido a partir do meio-dia. Na parte da tarde haverá café colonial e lanches em geral, além de todo o serviço de bar durante a festa.

O bandoneonista Renato Gaulke é um dos que não perderá a oportunidade de comer marreco recheado com repolho roxo. Amante do instrumento há 30 anos, ele será uma das atrações na programação. Mas não resistiu e já compareceu na Sociedade Rio da Prata antes da hora para provar o seu prato preferido. “Arroz e salada eu tenho bastante em casa. Por isso vim aqui comer marreco”. (ND)


11ª Bandoneonfest é neste domingo






Neste domingo, 15 de maio, mais uma festa popular joinvilense, a Bandoneonfest. Com início marcado para as 8h30min, o evento acontece na Sociedade Rio da Prata, em Pirabeiraba, e a programação se estende até às 19 horas. Almoço típico e feira de artesanato e de produtos agrícolas, organizada pela Fundação 25 de Julho, são opções para os visitantes.

Apoiado pela Prefeitura de Joinville, por meio da Fundação Turística, o evento está em sua 11ª edição e acontece sempre nos terceiros domingos do mês de maio. Segundo Dionísio Trap, organizador da festa, o objetivo é contar e preservar a história dos imigrantes alemães que trouxeram para a cidade, junto com o bandoneon, uma cultura cheia de encantos.

"Resgatamos aquelas pessoas que ainda tocavam o instrumento e incentivamos os jovens a aprender e, como resultado, só poderíamos ter muita alegria, música e diversão, que hoje chamamos de Bandoneon Fest", ressalta Dionísio.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Estrada do Pico: diversificação nas lavouras



Com 12 quilômetros de extensão, a Estrada do Pico tem dois acessos: um pela ponte coberta ao lado do Recanto Davet e outro pela Estrada João Fleith. Em contrapartida, não tem saída no lado oposto. Ela acaba perto do Quiriri, num morro coberto por um bananal.

Banana é, por sinal, uma das principais atividades do lugar. Juntamente com a cana-de-açúcar, garante o sustento de muitas famílias ali estabelecidas. Outras culturas de destaque na região são as de aipim e taiá. É com esses dois tipos de lavouras que Egon João Fleith continua, aos 71 anos, tirando seu sustento da terra. Viúvo e pai de dois filhos que já não moram mais com ele, Egon vive sozinho. Espirituoso, ele provavelmente é o homem mais popular daquela comunidade do distrito de Pirabeiraba.

Sempre de bem com a vida, o agricultor é encontrado diariamente ao meio-dia e no fim da tarde na beira da estrada, sentado num banco protegido por um telhado, onde gosta de bater papo com os amigos e contar histórias do lugar ocorridas nos tempos antigos.



Batizado por ele e os amigos, quando acabaram de construí-lo, de "A Praça da Alegria", que Egon contou à reportagem que um dos desbravadores do Pico foi seu avô João Jacó.

Ao analisar a realidade da agricultura local, Egon considera que por enquanto as coisas vão bem e a produtividade ainda  é muito boa. "É verdade que algumas propriedades foram transformadas em chácaras improdutivas, mas no geral a produção é ainda boa. Aqui, além de banana, cana-de-açúcar, aipim e taiá, temos pesque-pagues e até um velho alambique de cachaça, este pertencente a uma das famílias Fleith".

Na vida tranquila que leva, a maior preocupação de Egon é a mesma dos mais antigos moradores da área rural de Joinville: o futuro da agricultura local vai ficar nas mãos de quem? Segundo ele, é cada vez mais acentuada a evasão de jovens, que deixam as lavouras para trabalhar na cidade.

"A juventude está interessada em arrumar emprego com carteira profissional assinada. Eu entendo, pois agindo assim, além de ganhar muito melhor que puxando o cabo da enxada, terão ainda a vantagem que no futuro se aposentem com ganhos maiores do que um colono, que recebe no máximo, um salário mínimo do INSS. Diante desta realidade, é dar uma olhada por aí e verificar que as lavouras estão sendo cultivadas por pessoas já avançadas na idade, como é o meu caso", salienta.

O envelhecimento da mão-de-obra, na opinião do agricultor, aponta um caminho nada promissor. "Lamentavelmente, em um futuro não muito distante, vão sobrar poucas propriedades produtivas. Esta é uma tendência geral no interior de Joinville e de muitos municípios brasileiros. Mas fazer o quê? Nada posso fazer para evitar esta situação." (ND)