sexta-feira, 10 de junho de 2011

Custo do esgoto assusta moradores de Joinville



Valor para conectar a rede da casa à da rua pode variar de R$ 500 a R$ 15 mil

Moradores que agora têm rede de esgoto em frente da casa começam a se deparar com o que encaram como problema. Eles vão ter que se preocupar não somente com ruas esburacadas e calçadas quebradas por causa das obras, mas também com o custo da ligação do esgoto doméstico à rede da rua. O valor para essa modificação varia entre R$ 500 até R$ 15 mil, o que tem assustado o joinvilense.

A dona de casa Alice Ramos, 59 anos, está na expectativa de saber o valor que terá que pagar. Ela espera o valor do orçamento. Mesmo assim, ela já acumula prejuízo da fossa que comprou recentemente e pagou R$ 1,7 mil, que será inutilizada. Moradora há 36 anos do bairro Saguaçu, soube que deveria pagar a ligação somente por outros moradores. 

Além de desembolsar o valor da mão de obra, também vai ter de custear o material de construção e a reposição de paredes e pedras quebradas. A situação piora se o morador não souber onde está a fossa, ou se ela estiver muito longe da rede. Aí, o gasto será maior.

Mesmo assim, Verônica acha que este serviço deveria ser prestado pela Companhia Águas de Joinville ou pela Prefeitura, pois, segundo ela, há vizinhos que terão que desembolsar cerca de R$ 15 mil pela obra.

Vivendo com o dinheiro da aposentadoria, Rita Ribeiro, 76 anos, teve de pagar R$ 500 para fazer a ligação e agora terá de pagar taxa mensal de tratamento de esgoto.

Audiência debate os valores

A Comissão de Urbanismo da Câmara reuniu moradores do bairro Saguaçu, Companhia Águas de Joinville e Agência Municipal de Regulação dos Serviços de Água (Amae) na terça-feira, a pedido do vereador Alodir Alves de Cristo, para discutir maneiras de facilitar as ligações de esgoto. 

As reclamações giraram em torno do alto custo da ligação do esgoto à rede da rua, da falta de qualidade nas obras de recapeamento nos pontos onde foi instalada a rede, do prazo de 60 dias para desconto da taxa de coleta e tratamento do esgoto na conta de água e do percentual de 80% que será cobrado em cima do valor da água.

Por meio da assessoria de imprensa, a Companhia Águas de Joinville afirmou que a ligação do esgoto doméstico à rede da rua, assim como a instalação da caixa d’água, por exemplo, é de responsabilidade do cidadão e não cabe ao poder público.

Quanto ao prazo de 60 dias para a cobrança da taxa de coleta, a Companhia entende que é pequeno diante da demanda de moradores que precisam fazer a instalação e afirma que está estudando, juntamente com a Amae, uma maneira de estendê-lo.

Sobre percentual de 80% que será cobrado em cima do valor da água, a assessoria da Águas de Joinville afirma que o preço é o mesmo cobrado em outras regiões que têm a rede, como no Centro. Segundo a assessoria, o valor é pequeno se comparado com cidades onde a taxa chega a 120%.
(AN)

Mecânico aprendeu a manusear colmeia com o pai e mantem ofício como hobby




Uma singularidade se destaca na biografia do mecânico de automóveis Ervino Schumacher: para ele, mexer na caixa de câmbio de um carro ou na caixa de uma colmeia de abelhas africanas, tanto faz. Em ambas, faz o trabalho com habilidade típica de profissionais calejados no ofício. Nascido em Ituporanga, no Alto Vale do Itajaí, Ervino era agricultor na adolescência. Foi nesse tempo que ele aprendeu com o pai, Bertoldo, a lidar e a gostar de abelhas.

Com o sonho de garantir um futuro melhor, em 1973 chegou em Joinville e, com 16 anos de idade, começou a aprender o ofício de mecânico na antiga oficina Bade Merckle. Mais tarde saiu de lá para, até 1993, exercer a profissão em outras oficinas, quando então abriu a sua na rua João Woel, no bairro Vila Nova, onde está estabelecido até hoje.

Ao virar dono do próprio nariz, Ervino sentiu a necessidade de voltar a mexer com abelhas. Desde então, ele é dono de 12 colmeias espalhadas na área rural nos arredores do bairro Vila Nova. “Gostaria de ter mais, mas como conserto vans de transporte de escolares, sou obrigado a ficar de plantão; o serviço não pode parar e por isso só me dedico à apicultura nos fins de semana e à noite”, afirma.

Dono de todos os equipamentos necessários para o manuseio das colmeias, Ervino vez por outra é chamado para recolher enxames alojados em edificações. “Faço esse tipo de serviço à noite, único horário disponível,
e por isso nem sempre posso atender aos pedidos de socorro”, diz, bem-humorado.

Recentemente, ele recolheu um enxame no PA 24 Horas do Itaum. “As abelhas estavam enfiadas em um vão muito estreito que me obrigou a tirá-las de lá sem a vestimenta de proteção, e por isso levei umas 30 ferroadas. Doeu uma barbaridade, mas como não sou alérgico, não fiquei nada inchado nem precisei ser medicado”, conta,  divertindo-se com a situação. Ervino tem um irmão gêmeo, Alvino, que também é apicultor em Ituporanga. Mas a coisa não para por aí. O filho Fernando não seguiu a profissão de mecânico. Preferiu aprender o ofício de  marceneiro. Mas, como filho de peixe é peixinho, Fernando também é apicultor nas horas de folga. “A apicultura está no sangue da família”, diz Ervino.

Casado com dona Adenir, pai de um casal de filhos e um neto a caminho (ainda não sabe se será menino ou menina), Ervino está com 56 anos e vai se aposentar quando completar 60. Ele avisa que já tomou uma decisão. Assim que fechar as portas da oficina, vai aumentar o número de colmeias para se dedicar exclusivamente à apicultura.

Nada agressivas

Ervino garante que as abelhas são dóceis por natureza. “Elas jamais atacam de graça, só fazem isso quando se sentem ameaçadas. O resto é tudo folclore”, resume. O apicultor dá até um exemplo de ataque atribuído à agressividade gratuita das abelhas. “Fincar um palanque perto de uma colmeia é perigoso, pois as pancadas fazem a terra tremer e as abelhas atacam por achar que o intruso está querendo derrubar a caixa. Por isso, digo a todos que não se deve incomodá-las. Deixando-as sossegadas, elas nunca saem por aí distribuindo ferroadas a torto e direito”, destaca o mecânico apaixonado por abelhas. (Rogério Souza Júnior/ND)

domingo, 5 de junho de 2011

2ª Festa do Aipim foi sucesso garantido

O par de tamancos: equipamento realizado para a corrida


Prova do Estilingue


Serrador de lenha


Atrações da Festa


Corrida do saco


Corrida do tamanco


Rainha: Jessica Aline/Jaraguá do Sul. Princesa: Vanessa Hang/Guabiruba. 2ª Princesa: Silvia Stein/Curitiba (SECOM)


Neste final de semana, nos dias 4 e 5/06, a comunidade de Pirabeiraba pode presenciar mais um grande sucesso, participando da 2ª Festa do Aipim, realizado na Sociedade Dona Francisca.

Os organizadores deste fabuloso evento estão de parabéns pela acolhida aos visitantes que prestigiaram e se deliciaram com a culinária típica da região de Pirabeiraba. 

Podemos constatar que, através dos comentários, a comunidade aprovou esse avento e promete retornar na 3ª edição.

sábado, 4 de junho de 2011

Sociedade Dona Francisca realiza a 2ª Festa do Aipim









A 2ª Festa do Aipim será realizada na Sociedade Dona Francisca, em Pirabeiraba, neste fim de semana nos dias 4 e 5 de junho. Paralelamente, também acontece a  7ª edição do Encontro Folclórico de Joinville. Mais de 250 folcloristas estarão presentes divididos em 12 grupos folclóricos de Joinville, Rio do Sul, São Bento do Sul, Jaraguá do Sul, Curitiba e Blumenau.

A animação começa neste sábado, às 19h, com a eleição da rainha dos folcloristas. A presença das majestades da 72ª Festa das Flores de Joinville. O jantar dançante terá início às 22h30min. com a banda Som Legal. A entrada para o baile será de R$ 15,00, se for incluído o jantar (com churrasco, bisteca de porco, língua, frango caipira e acompanhamentos), o valor passa a ser de R$ 30,00 por pessoa.

No domingo, o desafio começa às 9h, com as Olimpíadas Folclóricas. Entre as modalidades que serão disputadas se destacam: a corrida do tamanco, a prova do estilingue, a prova do serrador de lenha e a corrida do saco. Além das modalidades olímpicas, acontecerá às 10 horas o concurso dos descascadores de aipim.

Às 11h, será servido o almoço colonial, com apresentações dos bandoneonistas de Joinville. O cardápio (lasanha de aipim, purê de aipim, bolinho de aipim, aipim frito com bacon, vaca atolada, galinha caipira, marreco, churrasco entre outros), ao preço de R$16,00. Durante a tarde dançante, animada pela Banda Som Legal, será servida cuca e bolo de aipim. Às 16h, acontece a prova do Tomadores de Chope em Dúzia. Os eventos encerram-se às 18 horas.

Família Neitzel aposta na diversificação agrícola



Dono de uma área agrícola de 192 mil m2 caracterizada por boa produtividade, Levino Neitzel é um dos mais conhecidos agricultores do Quiriri, próspera comunidade do distrito de Pirabeiraba situada na região dos contrafortes da serra Dona Francisca. Esbanjando saúde aos 65 anos, Levino e a mulher Iris continuam trabalhando na lavoura de onde sempre tiraram o sustento para criar a família.

Bem-humorado, o agricultor se diz um homem feliz por ter ao lado três jovens na hora de dividir as tarefas de cultivo de hortaliças, tubérculos e flores. Os parceiros são os próprios filhos do casal, Jonas, Geovani e Jean Carlos, respectivamente com 40, 34 e 30 anos.

“Ao contrário de muitos colegas que mesmo quebrados pelo peso da idade são obrigados a trabalhar sozinhos, porque os filhos se foram para a cidade, nós não estamos nesta situação. Os filhos estão todos conosco e a cambada nem pensa em largar as atividades agrícolas”, assinala o espirituoso agricultor.

Os filhos, dois com ensino médio completo e um com curso superior, confirmam as palavras do pai. Jonas, o mais velho, resume o motivo de manterem-se no segmento: “Nossa propriedade sempre se destacou por uma boa diversidade de culturas, garantindo boa agregação de renda. Os ganhos ficaram ainda melhores quando há dez anos incluímos na cadeia produtiva flores de vaso, plantas ornamentais e flores de época. Desde então, nossos ganhos aumentaram cerca de 50%. Por isso, estamos satisfeitos na agricultura”.

Jean Carlos, o mais novo dos irmãos, acrescenta que embora tenha curso superior em tecnologia e gestão da produção industrial, se sente realizado como agricultor. “Formamos aqui uma pequena cooperativa familiar que nos garante boa renda, afastando das nossas mentes a tentação de buscar emprego fora da propriedade onde nos criamos e crescemos trabalhando ao lado dos pais”. 

A satisfação dos três filhos com o trabalho e a renda é motivo de orgulho para Levino e Iris. “Com uma produção diversificada, que incluía aipim, cará, taiá japão, batata doce, beterraba, batatinha, nabo, tomate, repolho e couve flor, os três perceberam, ainda adolescentes, que bem conduzida a propriedade garantia bom rendimento. Por isso, optaram em ficar trabalhando na terra”, assinala o pai.

Com a introdução de flores e plantas ornamentais, as coisas estão ainda melhores para os Neitzel. A produção de hortaliças e tubérculos segue praticamente inalterada. “Depois que entramos no ramo da floricultura, só deixamos de produzir batatinha, que desapareceu de todas as propriedades de Joinville devido uma praga de difícil cura na lavoura. Em compensação, acrescentamos brócolis, alface, sálvia, orégano e manjericão”, destaca Iris.

Jonas conta que o ingresso no ramo da floricultura deu-se após ele e os irmãos terem participado de diversos cursos técnicos promovidos pela Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Santa Catarina). “Vislumbramos nesses cursos a possibilidade de agregar mais valores à propriedade se incluíssemos flores e plantas ornamentais. Foi desse jeito que botamos a cara no negócio e acertamos na mosca, pois nossos ganhos dobraram após a consolidação desse projeto inovador”, salienta.

A produção da floricultura dos Neitzel é comercializada diretamente nas casas especializadas de flores e plantas ornamentais de Joinville, Blumenau e outras cidades da região. Alguma coisa, caso da arundina, ou orquídea da terra, como essa flor é conhecida popularmente, abastece o mercado paulista.
Os Neitzel também compraram um caminhão com o qual escapam dos atravessadores fazendo a entrega de flores e comercializando as hortaliças e tubérculos na Ceasa (Central de Abastecimento de Joinville) e em quitandas espalhadas pela cidade. 

Comparativos de valores

Para ilustrar as vantagens obtidas com a introdução da floricultura, Jonas mostra alguns comparativos. Em um ano, em 100 m2 a renda bruta com aipim é de R$ 150. Se o mesmo espaço é usado para a produção de  arundina o valor sobe para R$ 450. Outro bom comparativo: em 100 m2, em 75 dias a renda com o cultivo de alface fica em R$ 270. Já com vasos de gerânios o valor pula para R$ 2.960.

“Claro que o custeio de hortaliças e tubérculos é bem menor que aquele de plantas ornamentais e flores.  Mas como a margem de lucro é melhor, em média em nossa propriedade a floricultura garante o dobro de lucro em relação à horticultura”, salienta.

Motivos do êxodo rural

Sempre preocupado em se reciclar com os irmãos para a família não ficar desatualizada, Jonas comenta que em Joinville o acentuado êxodo rural é resultado de um conjunto de fatores. “Parte dos jovens sai do campo quando são impedidos pelos pais a introduzir inovações. Outros se vão por comodismo, por achar que a agricultura familiar é coisa do passado, que não renda nada. Tem também aqueles que simplesmente não gostam da atividade. Existem aqueles que por falta de capital de giro, ou por restrições ao uso do solo imposto pela legislação ficam sem alternativas e perspectivas. Somando-se a tudo isso a proximidade do parque industrial é fácil de entender o esvaziamento do meio rural joinvilense”, enfatiza Jonas.

De bem com a vida e os negócios da família, Jonas lamenta a drástica corrida de jovens camponeses rumo à cidade.  “Muitos deles que estão na cidade com um emprego abaixo do razoável se tivessem apostado em novas alternativas como fizemos aqui em nossa  propriedade poderiam estar desfrutando de uma situação muito mais confortável. Trabalhar na terra com o olho atento no mercado e suas tendências faz da atividade um bom negócio. Isso eu, meus pais e meus irmãos podemos afirmar com toda a segurança”, completa Jonas Neitzel. (Herculano Vicenzi – ND)